COMIDA - CAFÉ - EVENTOS
 

A CENTRAL

A Central é o novo nome que escolhemos para este espaço que já foi chamado de Café 104, Tecidos 104 e Companhia Industrial Bello Horizonte, lá nas origens de sua fundação em 1906. Estamos falando de impermanência, e é por ela que nos encontramos aqui. Nossos desejos avançam como trens, mas é fato que também estamos de passagem sob este teto. Enquanto isso, queremos ensaiar. Ensaiar um almoço preparado a muitas mãos. Ensaiar uma roda de poesia em torno das mesas. Ensaiar um grupo enorme de pessoas entrando por essas portas até que o lugar pareça pequeno demais para todas elas, apesar de tanto pé direito. Amigos de longa data surrupiando guardanapos para servir um jantar na noite seguinte. Uma ópera de uma grande cantora, ou de uma cantora mais baixa. O desbunde coletivo diante de uma história improvável. Um indivíduo misterioso entrando pela porta de vidro e decidindo ficar o dia todo aqui enquanto escreve um livro que talvez nem seja publicado. A gigantesca exposição das obras de dezenas de artistas decididas a falar sobre os temas mais urgentes dos tempos de hoje, ou melhor, de todos os tempos. Um show sem instrumentos. A performance da atriz que resolve ficar três horas em silêncio escutando o som da quase extinta ferrovia. Ensaiar algo prazeroso que inebrie os sentidos por um relevante período de tempo. Uma exorbitante valsa nua. Aquela intempestiva chuva que insiste em funcionar do lado de fora. Ensaiar o nada, e junto com ele, o belo porém pesaroso entendimento de que tudo passará. A verdade sobre a Central é que estaremos eternamente em ensaio, reunindo dissertações menores, dia-a-dia, com a pretensão de jamais esgotá-las. 

O PRÉDIO 104

Reflexo do fluxo intenso na Praça da Estação, nos primeiros anos do século XX são erguidos na região hotéis, fábricas, cafés e bares. É neste contexto que, em 1906 – dois anos depois do início das obras do primeiro prédio da Estação – começa a ser construído o edifício que hoje é sede da Central.

No ano de 1908, o prédio é inaugurado para abrigar a Companhia Industrial Bello Horizonte – CIBH, considerada a primeira grande indústria da capital mineira. A partir da década de 30, o edifício é ocupado por outras companhias têxteis e fica conhecido como 104 Tecidos.

Ao longo dos anos, o imóvel passa por inúmeras reformas que causam uma descaracterização acentuada do projeto original, de Edgar Nascentes Coelho. Paralelamente, a região da Praça da Estação atravessa um longo período de decadência e só volta a ganhar atenção no começo dos anos 1980, com a instalação do metrô.

Em 1984, o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Praça da Estação é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA), primeiro passo para a revitalização da região, que só ganha fôlego entre as décadas 1990 e 2000, com obras que valorizam o hipercentro.